A Unção Que Permanece
“Ora, vós tendes a unção da parte do Santo, e todos tendes conhecimento. (…) Estas coisas vos escrevo a respeito daqueles que vos querem enganar. E quanto a vós, a unção que dele recebestes fica em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a sua unção vos ensina a respeito de todas as coisas, e é verdadeira, e não é mentira, como vos ensinou ela, assim nele permanecei. E agora, filhinhos, permanecei nele; para que, quando ele se manifestar, tenhamos confiança, e não fiquemos confundidos diante dele na sua vinda.” (I João 2:20,26-28)
Temos aqui mais um conceito vindo do Velho Testamento que é repetidamente mencionado nas igrejas nos últimos dias: a unção. O que significava a unção no Velho Testamento? E o que significa para nós, na Nova Aliança?
No Velho Testamento, a unção era um mandamento aplicado em três casos, como veremos (há um quarto caso, mas é tão particular que deixarei de lado por agora — ainda que se aplique de igual modo no contexto do Novo Testamento). O primeiro caso era uma unção com óleo aromático especialmente preparado, e sua finalidade primeira era a consagração de um sacerdote:
“Depois tomarás as vestes, e vestirás a Arão da túnica e do manto do éfode, e do éfode mesmo, e do peitoral, e lhe cingirás o éfode com o seu cinto de obra esmerada; e pôr-lhe-ás a mitra na cabeça; e sobre a mitra porás a coroa de santidade; então tomarás o óleo da unção e, derramando-lho sobre a cabeça, o ungirás. Depois farás chegar seus filhos, e lhes farás vestir túnicas, e os cingirás com cintos, a Arão e a seus filhos, e lhes atarás as tiaras. Por estatuto perpétuo eles terão o sacerdócio; consagrarás, pois, a Arão e a seus filhos.” (Êxodo 29:5-9)
No mesmo texto temos a segunda unção, feita com o mesmo óleo e o sangue de um carneiro sem defeito, para santificação dos mesmos sacerdotes:
“Depois tomarás o outro carneiro, e Arão e seus filhos porão as mãos sobre a cabeça dele; e imolarás o carneiro, e tomarás do seu sangue, e o porás sobre a ponta da orelha direita de Arão e sobre a ponta da orelha direita de seus filhos, como também sobre o dedo polegar da sua mão direita e sobre o dedo polegar do seu pé direito; e espargirás o sangue sobre o altar ao redor. Então tomarás do sangue que estará sobre o altar, e do óleo da unção, e os espargirás sobre Arão e sobre as suas vestes, e sobre seus filhos, e sobre as vestes de seus filhos com ele; assim ele será santificado e as suas vestes, também seus filhos e as vestes de seus filhos com ele.” (Êxodo 29:19-21)
Os homens assim ungidos não podiam sair mais da tenda da revelação, sob pena de morrerem — eles eram, assim, totalmente consagrados e separados para o ministério:
“E não saireis da porta da tenda da revelação, para que não morrais; porque está sobre vós o óleo da unção do Senhor. E eles fizeram conforme a palavra de Moisés.” (Levítico 10:7)
Havia ainda uma terceira unção possível, feita com azeite, para confirmação de um rei:
“Disse Samuel a Saul: Enviou-me o Senhor a ungir-te rei sobre o seu povo, sobre Israel; ouve, pois, agora as palavras do Senhor.” (I Samuel 15:1)
Assim, temos a unção em três casos possíveis: na consagração dos sacerdotes, na santificação destes, e na confirmação de um rei.
Mas o próprio Velho Testamento nos dá um vislumbre da unção do novo, quando um homem segundo o coração de Deus é ungido rei:
“Então Samuel tomou o vaso de azeite, e o ungiu no meio de seus irmãos; e daquele dia em diante o Espírito do Senhor se apoderou de Davi. Depois Samuel se levantou, e foi para Ramá.” (I Samuel 16:13)
Vemos então cumprirem-se em Cristo, a raiz de Davi, o Ungido de Deus (pois Cristo significa ungido), as três unções do Velho Testamento — pois ele foi consagrado a Deus, e santificado como sacerdote, ainda que segundo a ordem de Melquisedeque; e não o foi com óleo e sangue de carneiros, mas com o Espírito Santo, e com seu próprio sangue. Da mesma forma, ele foi ungido Rei dos Reis e Senhor dos Senhores, não com qualquer azeite, mas com o poder do Espírito Santo, que o ressuscitou dentre os mortos.
“Foi-lhe entregue o livro do profeta Isaías; e abrindo-o, achou o lugar em que estava escrito: O Espírito do Senhor está sobre mim, porquanto me ungiu para anunciar boas novas aos pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos, e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos, e para proclamar o ano aceitável do Senhor. E fechando o livro, devolveu-o ao assistente e sentou-se; e os olhos de todos na sinagoga estavam fitos nele. Então começou a dizer-lhes: Hoje se cumpriu esta escritura aos vossos ouvidos.” (Lucas 4:17-21)
“…concernente a Jesus de Nazaré, como Deus o ungiu com o Espírito Santo e com poder; o qual andou por toda parte, fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do Diabo, porque Deus era com ele.” (Atos 10:38)
Assim, Cristo cumpriu em si toda a lei quanto à unção, para ser capaz de nos prover com um sacrifício eterno, com um perfeito sacerdócio, e com a unção que permanece; uma unção que não somente nos consagra e santifica, mas que nos capacita a sermos reis e sacerdotes para com Deus, através da vida de Cristo em nós; e essa unção é o outro Consolador, o Espírito Santo, no qual o Senhor Jesus foi ungido rei e sacerdote, e no qual somos ungidos, de igual forma, reis e sacerdotes, para glória de Deus. Assim, não temos necessidade de mais nenhuma unção, de nenhuma forma, senão como símbolo do que o Senhor já fez em nós; Deus não nos dará uma nova unção, como também não proverá para si mesmo um novo sacrifício, ou um novo sacerdote; se encontramos o sacrifício perfeito em Cristo, e nele também o sacerdócio eterno, nele, o primeiro Consolador, encontraremos a unção que permanece, na pessoa do Espírito Santo, que ele mesmo enviou para habitar em nós.
“Mas aquele que nos confirma convosco em Cristo, e nos ungiu, é Deus, o qual também nos selou e nos deu como penhor o Espírito em nossos corações.” (II Coríntios 1:21-22)
“Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as grandezas daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz; vós que outrora nem éreis povo, e agora sois de Deus; vós que não tínheis alcançado misericórdia, e agora a tendes alcançado.” (I Pedro 2:9-10)
_________________________________________________________________2________________________________________________________________
As Bases Bíblicas da Unção
INTRODUÇÃO
A unção na Bíblia pode ser vista de modo abrangente, tanto no sentido espiritual como no sentido prático da unção com óleo. Esta é prática bíblica de muita importância pelo seu sentido simbólico e espiritual. Tanto no AT como no NT encontramos respaldo para sua utilização, ainda que de modo diferenciado. Hoje, quando tantas inovações estão ocorrendo no meio evangélico, precisamos saber um pouco mais sobre esse procedimento recomendado pela Palavra de Deus.
I - CONCEITOS DE UNÇÃO
- ETIMOLOGICAMENTE. Unção significa "Ato ou efeito de ungir". Ungir quer dizer: "Untar com óleo ou com ungüento"; "Aplicar óleos consagrados" (Dic.).
2. BÍBLICAMENTE. Unção vem do substantivo grego, chrisma; daí, vem o verbo chrío, ungir; e o adjetivo christós, que significa "ungido". No hebraico, o termo ungido é Messias, aplicado a Cristo. A unção, na Bíblia, pode ser entendida de modo espiritual e literal, com a aplicação do azeite ou óleo sobre alguém ou sobre algum objeto.
2.1.UNÇÃO ESPIRITUAL. É a capacitação dada por Deus a alguma pessoa, credenciando-a para cumprir uma missão específica, especial, dentro de propósitos divinos.
1) JESUS FOI UNGIDO. Jesus foi ungido pelo Espírito Santo, "para evangelizar os pobres", "curar os quebrantados do coração, apregoar liberdade aos cativos...a por em liberdade os oprimidos" (Lc 4.18). Ele foi ungido "com óleo de alegria" (Hb 1.9). (Ver Is 61.1; At 10.38; 1 Cr 16.22).
2) OS APÓSTOLOS FORAM UNGIDOS. Pedro era ungido de tal modo que as pessoas colocavam os doentes sob sua sombra para que fossem curados (At 5.15,16). De Paulo, levavam-se "lenços e aventais" e "as enfermidades fugiam deles" (At 19.11,12).
3) OS CRENTES FIÉIS SÃO UNGIDOS. "Mas o que nos confirma convosco em Cristo, e o que nos ungiu é Deus, o qual também nos selou e deu o penhor do Espírito em nossos corações" (2 Co 1.21, 22).
2.2. UNÇÃO COM ÓLEO: É o ato de derramar óleo sobre alguém ou sobre algum objeto, com o sentido de torná-lo consagrado a Deus, ou de buscar a cura divina sobre o enfermo.
II - A UNÇÃO COM ÓLEO NO ANTIGO TESTAMENTO.
- O ÓLEO DA UNÇÃO.
1.1. SUA COMPOSIÇÃO. Era composto de "principais especiarias": mirra, canela aromática, cálamo aromático, cássia e azeite de oliveiras. (Ver Ex 30.22-25). Era o "azeite da santa unção".
1.2. SUA FINALIDADE.
1) A UNÇÃO DOS OBJETOS SAGRADOS. (Ex 30.26-29; 40.9-11).
O ato de ungir os objetos com o "azeite da santa unção" dava-lhe um caráter sagrado. Não podiam se utilizados para outras finalidades. Belsazar foi castigado por ter feito uso dos vasos sagrados do templo do Senhor (Ver Dn 5.2-5; 23). Hoje, os lugares de culto nem sempre são respeitados.
2) A UNÇÃO DOS SACERDOTES. (Ex 30.30; 29.7; Lv 8.12).
Os sacerdotes, após ungidos, eram considerados santos, devendo dedicar-se ao serviço do Senhor. Hoje, no Cristianismo, todos somos sacerdotes reais (1 Pe 2.9), pela unção espiritual.
3) A UNÇÃO DOS REIS.
O azeite era derramado sobre eles, na consagração para o cargo, como servo de Deus. Saul ( 1 Sm 10.1); Davi (1 Sm 16.13; 2 Sm 2.4; 11.7). Jeú (2 Rs 9.1,3). Salomão (1 Rs 1.39); 2 Rs 11.12; 2 Cr 23.11.
4) A UNÇÃO DOS PROFETAS. Elias ungiu Eliseu (1 Rs 19.16).
1.3. SUA EXCLUSIVIDADE.
Era santo, com utilização definida (Ex 30.31-33). Muitos que são ungidos para o ministério têm saído do seu lugar, misturando-se com o mundo, a política iníqua e outras coisas que não agradam a Deus.
III - A UNÇÃO NO NOVO TESTAMENTO
- A UNÇÃO NO SENTIDO ESPIRITUAL.
No NT, a palavra unção (do gr. chrisma) só ocorre três vezes (Ver 1 Jo 2.20,27). O verbo ungir (chrío) aparece cinco vezes (Lc 4.18; At. 4.27; 20.38; 2 Co 1.21; Hb 1.9). Já o adjetivo christós (Cristo) ocorre mais de 500 vezes, em diversas referências, como em Mt 1.1 e Ap 22.21.
- A UNÇÃO COM ÓLEO.
Literalmente, ocorrem duas passagem relativas à unção com óleo: Em Mc 6.13 e Tg 5.14. 1. A UNÇÃO DOS ENFERMOS.
1.1. OS DISCÍPULOS UNGIAM (Mc 6.13). É a única referência nos evangelhos sobre esse trabalho dos discípulos. Certamente, era algo muito comum, embora as curas feitas por Jesus não utilizavam o óleo como elemento auxiliar.
1.2. A UNÇÃO PELOS PRESBÍTEROS. (Tg 5.14). Tiago ensina como agir, quando um crente está doente, orientando que os presbíteros sejam chamados para orarem por ele, ungindo com óleo, em nome de Jesus. 2. NO PREPARO PARA A SEPULTURA (Mc 14.8; Lc 23.56). Era um costume oriental. Ao que parece para retardar a decomposição do corpo.
- A UNÇÃO DE HÓSPEDES.
Uma mulher ungiu os pés de Jesus (Lc 7.38) e Ele chamou a atenção do anfitrião por não tê-lo ungido a cabeça (Lc 7.46).
IV - A UNÇÃO COM ÓLEO, HOJE.
- QUEM PODE UNGIR.
1.1. OS MINISTROS DO EVANGELHO. Pastores e evangelistas podem ungir, pois sua missão é abrangente. (Ver 1 Pe 5.1,2a).
1.2. OS PRESBÍTEROS DA IGREJA (Tg 5.14). São os membros do ministério mais indicados para realizar a unção com óleo, pois são citados explicitamente como credenciados para tal finalidade. Mas não é exclusividade deles.
1.3. OS OBREIROS EM GERAL. Na ausência dos ministros e presbíteros, em situações especiais, é admissível que diáconos, auxiliares, e obreiros em geral unjam os enfermos. Os discípulos não eram formalmente ordenados, mas ungiam (cf. Mc 6.13).
1.4. É ELEMENTO ÚTIL À ORAÇÃO DA FÉ (Tg 5.14). Não é o azeite que cura, mas a fé no Nome de Jesus, da parte dos que oram e da parte do enfermo. A Igreja Católica tem o sacramento da "extrema unção" aos moribundos, com o sentido de conferir-lhes graça na hora da morte. Isso não tem respaldo bíblico.
- QUE PARTES DO CORPO PODEM SER UNGIDAS.
Normalmente, deve-se ungir a cabeça do doente. No AT, sempre a unção era sobre a cabeça. Ver Sl 23.5; 133.2. A mulher ungiu os pés de Jesus, mas não em caso de enfermidade. Atualmente, há certas práticas, utilizadas por alguns, de ungir inclusive partes íntimas das pessoas enfermas. Isso é exagero, e não tem base na Palavra de Deus.
CONCLUSÃO. A unção espiritual deve fazer parte da vida dos crentes e em especial da vida dos obreiros. A oração pelos enfermos deve ser prática comum em todas as igrejas cristãs, se possível, em todas os cultos. Sempre há pessoas necessitadas de receber a oração da fé, com o recurso da unção com óleo. Esta deve ser feita não apenas como mero ritual, mas como um gesto de fé no poder do Nome de Jesus.
Autor: Pastor Elinaldo Renovato de Lima
_____________________________________________________________________3_____________________________________________________________
O Óleo da Unção
Tirando o Poder do Sacrifício de Jesus Cristo
parte 02
Unção e Espírito Santo
Ora, no Novo Testamento a palavra “unção” aparece apenas duas vezes: I João 2:20 e I João 2:27, sendo que em ambos os casos ela vem diretamente de Deus!
Já como verbo, devemos descartar a ação de Maria ao ungir os pés de Jesus Cristo, também chamada em Marcos 14:8 de “unção para sepultura”, cuja finalidade é meramente cosmética e aromática.
Da mesma forma se enquadra a recomendação de Mateus 6:17-18, cuja unção recomendada é pura e simplesmente estética. Mateus 6 versa bastante sobre a discrição de um verdadeiro servo ao fazer a obra: assim como devemos dar com a mão direita de forma que a esquerda não saiba (Mateus 6:3), no jejum não devemos aparentar o possível e real cansaço relativo à atividade, mas ungir a cabeça para que não pareça aos homens que se está jejuando (Mateus 6:17-18)! Ambas as recomendações visam extinguir a imagem “heróica” que muitos fazem questão absoluta de ostentar desde aquela época, esperando arrancar observações alheias como “viram o quanto ele doou?”, ou ainda “Ele é um santo! Vive de jejum!”... Deus, que vê em secreto, sabe ao que estou me referindo!
Já em Lucas 4:18, Atos 4:26-27, Atos 10:38, II Coríntios 1:21-22 e Hebreus 1:9, podemos ver que a unção novamente veio diretamente de Deus! Nenhum homem unge nada nessas passagens e muito menos é feita referência a algum tipo de óleo real... ou será que eles fabricavam “óleo de alegria”naquela época e a receita se perdeu com o tempo?
Ora, fica claro que a unção a qual os versos acima estão se referindo é a ação do Espírito Santo! Ação esta que, tal qual no Antigo Testamento, causa resultados diversos (conforme podemos verificar em I Coríntios 12:4-12).
Então vão nos restar apenas duas passagens: Marcos 6:12-13 e Tiago 5:14-15. Vejam bem que em todo o Novo Testamento há apenas duas referências sobre unção com óleo... não seria esta quantidade ínfima para se estabelecer uma doutrina? Transcrevamos os textos para podermos analisá-los:
“E, saindo eles, pregavam que se arrependessem. E expulsavam demônios, e ungiam muitos enfermos com óleo, e os curavam.” (Marcos 6:12-13)
“Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e orem sobre ele, ungindo-o com azeite em nome do Senhor. E a oração de fé salvará o doente, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados.” (Tiago 5:14-15)
A estes dois textos eu gostaria de acrescentar mais quatro outros:
“Tendo dito isto, cuspiu na terra, e com a saliva fez lodo, e untou com o lodo os olhos do cego. E disse-lhe: Vai, lava-te no tanque de Siloé (que significa o Enviado). Foi, pois, e lavou-se, e voltou vendo.” (João 9:6-7)
“E muitos sinais e prodígios eram feitos entre o povo pelas mãos dos apóstolos. E estavam todos unanimemente no alpendre de Salomão. Dos outros, porém, ninguém ousava ajuntar-se a eles; mas o povo tinha-os em grande estima. E a multidão dos que criam no Senhor, tanto homens como mulheres, crescia cada vez mais. De sorte que transportavam os enfermos para as ruas, e os punham em leitos e em camilhas para que ao menos a sombra de Pedro, quando este passasse, cobrisse alguns deles. E até das cidades circunvizinhas concorria muita gente a Jerusalém, conduzindo enfermos e atormentados de espíritos imundos; os quais eram todos curados.” (Atos 5:12-16)
“E Deus pelas mãos de Paulo fazia maravilhas extraordinárias. De sorte que até os lenços e aventais se levavam do seu corpo aos enfermos, e as enfermidades fugiam deles, e os espíritos malignos saiam.” (Atos 19:11-12)
“Cada um administre aos outros o dom como o recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus.” (I Pedro 4:10)
Ao contrário do batismo e da ceia, o óleo NÃO FOI DEIXADO COMO ORDENANÇA! Logo, não se deve tratá-lo como tal!
No livro de Marcos temos uma seqüência de ações independentes entre si: pregar, expulsar demônios, ungir enfermos com óleo e curar! Isso nos leva em uma primeira análise a descartar a expulsão de demônios com o auxílio do óleo... senão eles teriam necessariamente de pregar com óleo, o que não faria o menor sentido! Logo:
Não se Expulsa Demônio Com Auxílio de Óleo em Lugar Nenhum da Bíblia!
Continuando, nos resta o trecho final, onde “ungiam os enfermos” e “os curavam”.
Olhemos agora então para o texto do livro de Tiago, onde se afirma claramente que a oração de fé salvará o doente.
Isso me leva a refletir sobre as aplicações do óleo naquela época: já vimos que tal líquido era amplamente utilizado naquela época com vários objetivos. As passagens sobre a irmã de Lázaro ungindo os pés do Senhor e a unção pós-jejum nos mostram seu uso estético... e, para o que mais se usaria o óleo?
Hoje em dia temos as farmácias de manipulação, capazes de criar os medicamentos conforme minuciosas especificações médicas... e pude aprender uma importante lição ao observar seus produtos... não sei se vou me expressar nos termos corretos, mas todo o produto químico ativo (remédio) precisa de um “meio” para poder ser aplicado. O mundo moderno nos oferece diversas substâncias neutras passíveis de transportar o medicamento: creme, gel, água, gelatina... os princípios ativos são infundidos nesses materiais e vêm a se tornar os xampus, pomadas, etc.
Ora, sabemos claramente que naquela época a tecnologia não era algo tão admirável assim, certo? Ou será que vemos ainda hoje em dia alguém passando óleo na cabeça para ir a um culto ou a uma festa? É claro que não! As pessoas usam produtos perfumados e sem gordura...
Da mesma forma, podemos perceber que a maioria dos medicamentos se aperfeiçoou. Não se faz mais pasta de figos como se fazia em Isaías 38:21... muito menos se toma vinho para problemas estomacais, conforme recomendou Paulo em I Timóteo 5:23! Quem seria louco de passar óleo e vinho em uma ferida, conforme descrito em Isaías 1:6 ou Lucas 10:34? E olha que Lucas era médico...
Com o passar dos anos, o homem aprendeu a extrair as substâncias químicas mais importantes de cada produto para então fazer medicamentos mais eficazes e direcionados ao mal que se está combatendo.
Voltemos agora à partícula restante de Marcos 16:13 e vejamos os termos separadamente, primeiramente a partícula “os curavam”: será que Deus alguma vez já dependeu de algum método específico para curar alguém? Será que o criador dos céus e da terra precisa que sinalizemos com óleo para só então ele agir?
Acho que não... e cito os outros exemplos acima para provar que a graça soberana de Deus age dos meios mais insuspeitos e improváveis! Vejam só: cuspe com terra curando cegueira! Sombra e panos curando e expulsando demônios! Só mesmo a maravilhosa graça de Deus para realizar tais impossíveis!
Notem que os objetos citados por mim nunca foram, digamos assim, “preparados”espiritualmente: não imagino Pedro esticando as mãos para sua sombra e orando para que ela curasse àqueles por sobre quem passasse... muito menos Paulo benzia seus objetos de uso pessoal! Jesus então? Agiu num ato contínuo: abaixou, fez a laminha, passou no olho do cego e pronto... afinal Ele é Deus e faz o que quiser, na hora que quiser e do modo que quiser!!!
Então nos voltamos para os “cultuadores do óleo”, que o vêem como objeto sagrado e capaz de, por si só, operar milagres e expulsar demônios... quantas pessoas já não foram “ungidas” e nunca obtiveram resultado algum? E depois ou a culpa da falha recai sobre a “falta de fé” da pessoa ou então, pior ainda, a pessoa se sente enganada e perde a fé em Deus, por culpa desses supersticiosos cultuadores de amuletos...
Eu creio que as curas, tanto a citada em Marcos 6:13 quanto a de Tiago 5:14, são completamente independentes da unção com óleo... elas são fruto direto da ação divina! O óleo seria meramente a parte medicamentosa a ser cumprida. Mesmo hoje em dia vemos pessoas ingerindo os medicamentos atestadamente corretos para suas doenças e ainda assim não sendo curadas! Eu já vi isso acontecendo... e creio que muitos leitores também!
Logo, podemos concluir disso tudo:
" Muitas vezes o remédio correto não cura. Muitas vezes a oração não cura!"
... e isso ocorre conforme ocorreu com Paulo em II Coríntios 12:7-10. Ninguém sabe as intenções e motivos de Deus e nenhum homem é apto para julgá-lo! Nem sempre as coisas que nos parecem ruins estão fora da vontade de Deus. Vejamos os exemplos de Jó e aprendamos com Romanos 8:28. Não estou dizendo que é fácil... mas é o que nos diz a verdadeira e única palavra de Deus.
Finalmente podemos afirmar que:
"O óleo pode ser usado para curar tanto quanto cuspe, lodo, um pano ou uma sombra!... Ou Nada Disso!
Deus usa o que quiser na hora que quiser:
A Graça não pode e nem deve ser colocada sob uma 'Fórmula Mágica'"
Deus não costuma ficar se repetindo: não fez a vara de Moisés virar cobra duas vezes, não abriu o Mar Vermelho duas vezes, não derrubou as muralhas de Jericó duas vezes... Ele pode fazer tudo isso de novo a hora que quiser, mas não faz para que o homem não creia que há um método específico além da fé e do conhecimento da palavra... principalmente quando o assunto é a multiforme graça de Deus. Cabe a nós estarmos sensíveis ao mover do Espírito Santo.
Meu último apelo é para que fiquem atentos as profecias sobre os últimos tempos, descritas em Mateus 24:23-24, II Tessalonicenses 2:9-10, II Coríntios 11:14-15 e Apocalipse 13:3-4, 12-14... elas mostram claramente que não são bem os servos do Senhor que vão ficar fazendo sinais e prodígios no final dos tempos. Cuidado com os grandes milagres modernos!!!
... ou você acha que ainda não estamos vivendo os últimos dias?
Autor: Walter Andrade Campelo
________________________________________________________________4__________________________________________________________________
Os Elementos da Unção
"Falou mais o Senhor a Moisés dizendo: Tu, pois, toma para ti das principais especiarias: da mais pura MIRRA, quinhentos siclos; e de CANELA aromática, a metade, a saber, duzentos e cinqüenta ciclo , e de CÁLAMO aromático, duzentos e cinqüenta ciclos; e de CÁSSIA, quinhentos siclos, segundo o siclo do Santuário; e de azeite de OLIVA, um him. E disto farás o azeite da Santa Unção, o perfume composto segundo a obra do perfumista; este será o azeite da Santa Unção". (Êx. 30:22-25)
Unção é escolha. O ato de ungir alguém significa escolher ou separar esta pessoa para um propósito - Ungido quer dizer = Escolhido. Geralmente quando Deus unge alguém, tem outras pessoas em mente. Ser um ungido significa quase sempre viver para os outros.
ARÃO - Foi ungido para servir no Tabernáculo. - Ex. 30:30
DAVI - Ungido para por ordem na nação de Israel e expulsar os filisteus. - I Sm. 16:13
ELISEU - Ungido profeta no lugar de Elias. - I Rs. 19:16
JESUS - Ungido para dar a vida pela humanidade - At.10:38
Jesus quando se declarou Ungido, disse para que foi separado: Is. 61:1-2; Lc. 4:18
O Rei e Sacerdote - podem ser escolhido depois, mas o Profeta, geralmente é escolhido desde criança, ou antes de nascer. (João Batista, Samuel, o próprio Jesus).
Os Elemntos da Unção - As Ervas
- MIRRA - Simboliza renovação e embelezamento. Este elemento prepara e embeleza a noiva para encontrar-se com o Noivo.
"Quem é esta que sobe do deserto, como colunas de fumaça, perfumada de mirra, e de incenso, e de toda sorte de pós aromáticos do mercador?" - (CT 3:6)
O Segredo da Rainha Ester
A história da Rainha Ester (Hadassa); preparada para encontrar-se com o rei. - Antes das núpcias, seis meses se perfumando com mirra.
Em chegando o prazo de cada moça vir ao rei Assuero, depois de tratada segundo as prescrições para as mulheres, por doze meses (porque assim se cumpriam os dias de seu embelezamento, seis meses com óleo de mirra e seis meses com especiarias e com os perfumes e ungüentos em uso entre as mulheres), - (ET 2:12)
A mirra está quase sempre relacionada com a preparação da noiva para se encontrar com o noivo.
Levantei-me para me entregar ao meu amado; as minhas mãos destilavam mirra, e os meus dedos gotejavam mirra preciosa. - (Ct. 5:5)
Todas as tuas vestes recendem a mirra, aloés e cássia; de palácios de marfim ressoam instrumentos de cordas que te alegram. - (Sl. 45:8)
A Mirra, Como Símbolo do Espírito Santo
O momento mais esperado, era quando a noiva ia ser apresentada ao noivo. - Naquele dia, era usada uma grande quantidade de mirra. - O perfume era sentido de longe.
Ester é um símbolo da Igreja do Senhor Jesus. - Ela está sendo preparada e perfumada para ser levada a presença do noivo.
ESTER - A Noiva, a igreja.
A MIRRA - O Espírito Santo, perfumando a noiva e preparando para apresenta-la.
O REI - Jesus, o noivo.
A Expressão do Noivo ao Ver a Noiva:
- Quem é esta...?
- Sobe como colunas de fumaça. - Jesus vê milhões de crentes subindo. Parece uma nuvem.
- Posso sentir o perfume de mirra.
- Outros perfumes (nardo, oliva...)
2. CANELA - Simboliza firmeza - Esta é a raiz mais forte que existe. Ela tira todas as outras do caminho. - Este elemento significa o alicerce na vida do cristão.
3. CÁLAMO - Erva cicatrizante - Ungüento para curar cortes e feridas. Este elemento tem a função de sarar as feridas do relacionamento; marcas que ficam na pessoa precisam ser cicatrizadas. Feridas no casamento. Feridas na comunhão com Deus.
4. CÁSSIA - Limpa e perfuma ao mesmo tempo - Tem a propriedade de limpeza e purificação como o álcool
5. OLIVA - Óleo da oliveira - Simboliza prosperidade - Considerada uma árvore valiosa por causa do óleo. Juntamente com a vinha era a maior fonte de riqueza da nação de Israel.
A Oliveira ( zayt em hebraico ).
A oliveira é uma das árvores mais importantes citadas nas Escrituras por sua conexão direta com o povo de Israel e também pela riqueza de figuras por ela representada. Seu uso era muito variado no Oriente Médio, pois ela era famosa por seu fruto, seu óleo e sua madeira. Era reputada como símbolo de beleza, força, da bênção divina e da prosperidade.
Características da Oliveira:
Cresce em qualquer lugar e em qualquer clima e sob quaisquer condições: Nas montanhas, nos vales nas pedras e na terra fértil.
Atinge até 7 metros de altura e torna-se uma árvore frondosa.
Até as árvores doentes lanças novos ramos. Troncos velhos tem folhas verdes. Mesmo se for queimada, saem ramos de suas raízes. Alguns brotam e crescem num sistema de raízes de até 2000 anos de idade. É quase indestrutível. Foi a única árvore que resistiu ao Dilúvio.
Cada árvore produz até 80lt. de azeite por ano.
Somos Comparados à Oliveira
Fomos chamados a dar frutos a qualquer tempo e no lugar onde estivermos plantados.
Mesmo vencido ou derrubado, o cristão se levanta e volta a produzir.
Processo lendo de amadurecimento mas pode tornar-se grande e produtivo.
Nossos frutos devem alimentar os que estão ao nosso redor.
Produz:
- Alimento, Luz, Higiene e Cura.
O Azeite Fluindo Para Abastecer Lâmpada
- A Bíblia diz que quando todas as vasilhas da viúva estavam cheias, o azeite parou. Não que acabou, mas parou. O Espírito Santo nos abastece de azeite para nos manter acesos, para brilhar.
- O óleo fluindo simboliza a nossa comunhão com Deus.
A Luz do Mundo
- Nenhuma lâmpada pode permanecer acesa sem azeite. Se faltar o azeite, a lâmpada vai apagando e não brilha mais. Perde a utilidade. Afinal para que serve uma luz apagada !?
Autor: Rev. Robério Lopes
__________________________________________________________________5________________________________________________________________
Quando Não Falta Unção...
“Eliseu lhe perguntou: Que te hei de fazer? Dize-me que é o que tens em casa. Ela respondeu: Tua serva não tem nada em casa, senão uma botija de azeite.” II REIS 4:1-7
Na vida do crente o que não pode faltar é a unção de Deus, que neste texto é simbolizado pelo óleo.
A mulher deste texto tinha perdido o marido, que havia lhe deixado uma dívida um pouco alta para seus recursos, sendo assim os credores estavam buscando resolver esta dívida levando os filhos para trabalharem como escravos. Esta mulher perdeu o marido, perdeu a condição de se sustentar, estava na iminência de perder os filhos, mas sua resposta diante do profeta suscitava esperança, pois ela diz ao homem de Deus: “eu não tenho nada, a não ser um pouco de azeite...”
Havia uma possibilidade dentro do ponto de vista desta mulher, pois quando não falta o azeite (unção) tudo pode ser resolvido. Na Bíblia o azeite é símbolo da “Unção”, assim como o profeta Eliseu multiplicou o azeite desta mulher devemos pedir a Deus a multiplicação da nossa unção, porque o que não pode faltar em nossa vida é a “unção de Deus”.
Quando não falta a unção os filhos não são engolidos pela escravidão, v.1. As dívidas desta mulher estavam para transformar seus filhos em escravos, na época era o costume para que as dívidas fossem pagas. Pode parecer cruel, mas era o costume. A única coisa que lhe restava era um pouco de azeite. A grande verdade é que sempre se tem um pouco de azeite, sempre existe um pouco de unção na vida do crente, o que não pode acontecer é a unção ficar parada. Unção parada não resolve nada. Quando essa mulher obedeceu ao profeta Eliseu e fez o azeite fluir de seu recipiente para as muitas vasilhas o azeite se multiplicou.
A unção multiplicada impede a escravidão de tomar nossos filhos, pois com a venda do azeite esta mulher pagou a dívida e livrou seus filhos de um destino cruel. Quando você quiser libertação para seus filhos lembre-se, você precisa colocar tua unção em movimento, unção parada não traz libertação.
Quando não falta unção as dívidas são pagas, v.7. O ser humano já nasce com dívidas espirituais por causa do pecado de Adão, e todo pecado é legalidade para o diabo agir. Nós temos dois tipos especiais de dívidas, a dívida espiritual e a emocional. A espiritual já nascemos com ela, mas a emocional adquirimos com o tempo se não resolvemos a nossa história a medida que ela acontece.
Quando existe dívida existe cobrador, e no caso de dívida espiritual o cobrador é o diabo. Quando olhamos para a Bíblia em Gênesis 27:41 observamos Jacó saindo de sua casa com uma enorme dívida emocional com seu irmão Esaú. A única maneira de quitar essa dívida, segundo Esaú, era com a morte de Jacó. Mas na sua caminhada pelo deserto Jacó aprendeu a construir uma ponte entre o céu e ele, através da oração, de maneira que quando está voltando para sua casa luta com um anjo no vau de Jaboque até que receba de Deus, sua benção, sua unção. A unção que Deus derramou sobre Jacó mudou a sentença, pagou a dívida dele com seu irmão Esaú, e o encontro que terminaria em morte acabou em perdão, porque a dívida foi paga com a unção, Gen. 33.
Quando não falta a unção a prosperidade acha causa pra chegar, v. 7. A unção multiplicada pela palavra do profeta na vida desta mulher trouxe, além do pagamento da dívida, sobra de caixa para ela e seus filhos viverem bem com a venda do azeite. Quando a unção entra em operação a prosperidade vem, porque a prosperidade é atraída pela unção de Deus em nossas vidas. A Bíblia diz que nós seremos perseguidos pela prosperidade, Deuteronômio 28.
Até mesmo o castiçal onde era colocado azeite era de ouro puro, a riqueza sempre esteve envolvida com a unção, é só observar a construção do tabernáculo e do templo que veremos como a riqueza se associa com a unção de Deus. Quer ser próspero? Seja ungido pelo Espírito Santo.
Autor: Pr Antonio
_______________________________________________________________6___________________________________________________________________
Unção com Óleo
Uma Reflexão Bíblica e Histórica
parte 2
Análise Histórica
É interessante que venhamos a analisar a prática da Igreja, desde os seus primórdios até os dias atuais, para que possamos formar também nosso pensamento através do testemunho daqueles que no decorrer do tempo estudaram e buscaram o conhecimento bíblico, bem como daqueles que deturpando o verdadeiro significado dos ensinos bíblicos torcem seu entendimento de acordo com suas conveniências momentâneas.
Os Pais Apostólicos
Não há praticamente nenhuma referência à unção com óleo de enfermos, entre os escritos de Tiago (± 46-49 d.C), e de Hipólito de Roma (± 200 d.C.). Isto provavelmente se deve ao fato de estarem os Cristãos deste período lutando com tantas e tão variadas formas de heresias, como o gnosticismo, o arianismo, o sebastianismo, o monarquismo, os judaizantes, entre outros tantos, que não deve ter havido tempo para dedicarem-se a este assunto em seus escritos.
Justino de Roma (± 140 d.C.)
Há contudo a exceção de Justino de Roma, que por volta de 140 d.C. defendia a posição de que todo e qualquer tipo de unção praticada ou ministrada no Velho Testamento aponta para Cristo. E que assim em Cristo todas as unções cessaram, conforme podemos ver pelo trecho de seu trabalho a seguir:
"Tendo Jacó derramado óleo no mesmo lugar, o próprio Deus que lhe aparecera dá testemunho de Ter sido para ele que ungiu ali a pedra. Também já demonstramos, com várias passagens das Escrituras, que Cristo é chamado simbolicamente "pedra" e que também a ele se refere toda unção, seja de azeite, seja de mirra ou qualquer outro composto de bálsamo, pois assim diz a palavra: "Por isso, o teu Deus te ungiu, o teu Deus, com óleo de alegria, de preferência aos teus companheiros". É assim que dele participaram os reis e ungidos, todos os que são chamados reis e ungidos, da mesma maneira como ele próprio recebeu de seu Pai o fato de ser Rei, Cristo, Sacerdote."
Hipólito de Roma (± 200 d.C.)
A mais importante obra teológica de Hipólito de Roma é intitulada a "Tradição Apostólica". É um dos mais antigos documentos com instrução litúrgica que podemos encontrar, tendo sido usado como base, pela igreja católica romana, para consubstanciar sua herética doutrina sacramental da"extrema-unção" e é também a base utilizada pelos neopentecostais para confirmar que a Igreja Cristã pós-apostólica era praticante da "unção de enfermos". Vamos ao texto de Hipólito:
Se alguém oferecer azeite, consagre-o como se consagrou o pão e o vinho, não com as mesmas palavras, mas com o mesmo Espírito. Dê graças, dizendo: "Assim como por este óleo santificado ungiste reis, sacerdotes e profetas, concede também, ó Deus, a santidade àqueles que com ele são ungidos e aos que o recebem, proporcionando consolo aos que o experimentam e saúde aos que dele necessitam."
Por estas palavras podemos claramente entender que este ensinamento está muito distante da verdade bíblica. Não há nenhuma instrução na Palavra de Deus no sentido de se consagrar pão e vinho. A Bíblia inclusive não trata o líquido da ceia do Senhor como sendo vinho. Há uma única referência, feita pelo Senhor Jesus registrada em Mateus, referindo-se ao conteúdo do cálice como"fruto da vide", ou seja "uva", ou seu suco:
"E digo-vos que, desde agora, não beberei deste fruto da vide, até aquele dia em que o beba novo convosco no reino de meu Pai." (Mateus 26:29 ACF)
E em nenhum momento há qualquer ritual de consagração. Há sim oração em ação de graças a ser proferida durante o cerimonial da ceia do Senhor, conforme instruções encontradas em Mateus 26:26-30 e em I Coríntios 11:23-30.
Se não se consagra o pão e o vinho, também não se consagra azeite. Se não se consagra azeite toda a teologia e toda a instrução litúrgica derivada desta linha de raciocínio é biblicamente inválida e deve ser considerada espúria e anátema.
Aprofundando-nos no estudo dos ensinos de Hipólito de Roma podemos encontrar vários tipos de óleos, como o óleo consagrado, o óleo de exorcismo, o óleo de ações de graças, o óleo santo ou santificado, entre outros, como o queijo da caridade e a azeitona consagrada. (Será que as semelhanças com a IURD são meras coincidências?) Assim, quaisquer ensinos provenientes desta fonte, ou de qualquer outra que nela se baseie devem ser considerados espúrios e anátemas.
Orígenes (± 210 d.C.)
Orígenes, apesar de todas as suas tendências alegoristas e metafóricas, de suas heresias e descalabros, ao tratar da questão da unção com óleo, afirma, corretamente, que alguns Cristãos (neste caso Celso) teriam querido curar suas feridas através da ação divina, mas manter sua alma inflamada em seus vícios e pecados, rejeitando os remédios espirituais dessa mesma palavra, a confissão de pecados e o perdão. Querendo usar o azeite, o vinho e outros emolientes, e demais ajudas médicas que aliviam a enfermidade, como alívio para sua alma corrompida, ou ainda usar de supostos poderes mágico-espirituais conferidos aos medicamentos na cura das feridas, sem se apresentarem diante de Deus, para a cura da alma.
Hoje em dia a medicina nos apresenta vários novos recursos curativos, além do azeite e do vinho, aos quais podemos recorrer, contudo não podemos em momento algum, nos esquecer da dependência de Deus, através de uma vida de oração.
Este é o ensinamento de Orígenes: que muitos querem ser curados, querem ser aliviados, mas não querem deixar seus pecados. Portanto, na teologia de Orígenes não existe espaço para uma unção de enfermos com fins curativos mágicos. O azeite e outros emolientes são importantes do ponto de vista medicamentoso, mas sempre associados à dependência de Deus pela oração, e se for para a Sua glória, Deus restabelecerá o enfermo.
Idade Média
Durante a Idade Média houve grande luta entre o poder secular e o poder da Igreja, trazendo como conseqüência direta uma deturpação ainda mais exacerbada da já caquética e corrompida teologia da igreja de Roma. As interpretações das Escrituras visavam apenas dar respaldo a um misticismo mágico-religioso que dominava as ações da igreja de Roma, e lhe conferia poder sobre as massas ignorantes e crédulas, além de controle sobre seus governantes, rendendo à igreja de Roma grandes frutos financeiros e políticos. Neste período há muito pouca discussão sobre a unção com óleo, pois esta já se havia instituído em sacramento, o sacramento da extrema-unção, para limpar de pecado aquele que estava à beira da morte.
Cesário de Arles (± 503~504)
Ele faz várias referências à unção de enfermos nos seus sermões. No sermão 13 ele escreve:
"Toda vez que sobrevier uma doença, o que a sofre receba o corpo e o sangue de Cristo; peça humildemente e com fé ao sacerdote a unção com o óleo bento a fim de que se cumpra nele o que está escrito".
No Sermão 184, suplica às mães que não levem seus filhos aos "medicamentos diabólicos", argumentando:
"Quanto mais justo e razoável seria recorrer à igreja, receber o corpo e o sangue de Cristo, ungir com fé, seja o próprio corpo ou o dos seus, com o óleo bento."
Aqui vemos já uma completa deturpação do significado da ceia do Senhor, pois é esta um memorial, não conferindo qualquer tipo de bênção, graça ou cura. Pois, não há qualquer suporte nas Sagradas Escrituras para que assim pensemos.
E assim da mesma forma também não há um "óleo bento pelos sacerdotes". Pois, primeiramente, não há na Nova Aliança a figura do sacerdote, não há mais a necessidade de intermediação entre o povo e seu Deus. Cada um que tenha em si o selo da salvação, tem acesso direto ao Pai através de Jesus Cristo, nosso Mediador e Advogado para com o Deus.
Não há também, como já vimos, sob a Nova Aliança, nenhum objeto ou material consagrado ou santificado, tornando, deste modo, a existência de um "óleo bento" simplesmente impossível.
E se não há bênção nem na ceia, nem no óleo, não há razão para uma unção de enfermos, exceto quando ocorrer com caráter puramente medicamentoso, sem qualquer conotação mística ou espiritual.
Quanto à afirmação no sermão 184, não há qualquer fundamento ou razão para afirmar que medicamentos sejam "diabólicos", ou de qualquer outra forma "impuros" ou "malévolos". Há contudo, clara proibição bíblica, quanto a se buscar o auxílio de curandeiros e feiticeiros, mas, em nenhum ponto encontramos recomendação contra a busca por médicos ou por medicamentos em caso de doenças. Ao contrário, quando a mulher que sofria com fluxo de sangue procurou por Jesus, é-nos informado que ela já havia procurado por médicos, pratica esta que não foi recriminada por Jesus, apesar de no caso desta mulher não ter sido de eficácia. (Marcos 5:25-34)
Beda (± 720 d.C.)
Segundo o disposto através da teologia de Beda, podemos ver o andamento da deturpação do significado da unção de enfermos, conforme segue:
Naquela época se pensava que a virtude da Unção estava no óleo consagrado pelo bispo, o óleo bento;
A Unção de Enfermos pertencia à categoria dos sacramentos permanentes, assim como a ceia do Senhor e o batismo;
A igreja de Roma cria que assim como na ceia do Senhor é o próprio ministro, o sacerdote, quem consagra o pão, e como também é o sacerdote quem batiza, é este mesmo quem também consagra o óleo para a unção de enfermos, e estes elementos depois de consagrados pelo ministro são repassados aos presbíteros para ministrá-los. Assim, toda a força da bênção do óleo está no pastor, isto é, no sacerdote;
Assim como o pão consagrado para a ceia do Senhor já tem em si a força do sacramento, também o óleo bento consagrado pelo bispo tem a mesma força e o mesmo poder.
Bonifácio (± 900 d.C.)
A partir da reforma carolíngia, a administração do óleo consagrado, ou bento, ficou reservada exclusivamente aos sacerdotes (bispos e presbíteros). Segundo os Statuta Bonifacii, do começo do século IX, os sacerdotes devem, em suas viagens, levar sempre consigo a eucaristia e o "santo óleo"; e lhes é proibido sob pena de deposição confiar aos leigos o "santo óleo".
Neste ponto muda a igreja de Roma sua concepção do sacramento:
De unção de enfermos passou a ser unção de moribundos (extrema-unção);
Da consagração do óleo passou a ser a administração da unção;
De sacramento com efeitos corporais passou a ser sacramento com efeitos espirituais;
De sacramento autônomo passou a estar unido à penitência;
A teologia escolástica do século XIII já herdara uma situação de fato: o ministro da unção é o sacerdote, o mesmo da penitência.
Deste panorama, tem-se o que hoje é entendido por unção dos enfermos. Uma ação de transferência de poder do sacerdote para o óleo e deste para o enfermo, "trazendo a cura".
Nada mais que uma ação de misticismo e feitiçaria, completamente destacada do contexto e do entendimento bíblicos, ação esta criada por séries de heresias e deturpações históricas, tanto no que se refere ao papel da igreja, quando no que se refere ao papel do ministro da igreja, o seu pastor.
Os Reformadores Protestantes
No decorrer da Idade Média, a igreja católica separou esse rito da unção de enfermos e o elevou à categoria de sacramento da extrema-unção, mediante o qual, segundo ensinavam seus teólogos, deveria ser ministrado aos fiéis da igreja que estavam moribundos, ou seja, à espera da morte.
Houve consenso entre os reformadores protestantes que assim apresentada, a unção com óleo, era uma falsa interpretação de Tiago 5:14 e de Marcos 6:13.
Segundo Lutero, em sua exposição do texto de Tiago 5:14, o uso da unção com óleo, já cessou:
"Por isso sou de opinião que essa unção é a mesma da qual se escreve, em Mc 6:13, a respeito dos apóstolos: 'E ungiam muitos enfermos com óleo, e os curavam.' Trata-se, pois, de um certo rito da Igreja primitiva, pelo qual faziam milagres entre os enfermos. Já desapareceu há muito."
Calvino de igual modo não aceita a contemporaneidade da prática da unção de enfermos, assegurando que esta prática já cessou na igreja, como também, todas as virtudes e os demais milagres que foram operados pelas mãos dos apóstolos, a razão é que este dom (unção de enfermos) era temporal.
Calvino e Lutero são unânimes em afirmar que o azeite era um ungüento utilizado na Igreja Primitiva com fins medicamentosos que associados à oração dos presbíteros, teria muito efeito.
Porque os reformadores não faziam unção de enfermos?
Por que o princípio gerador da cura em Tg 5:14 é a fé do doente e as orações dos líderes da igreja;
Por que longe de sustentar a extrema-unção ou o crisma (confirmação), a passagem de Tiago 5:14 trata de presbíteros (e não de sacerdotes) orando pela cura do enfermo; O azeite é então um óleo medicinal, e não um preparado mágico para a morte.
Por que a unção Veterotestamentária apontava para o Messias, o Ungido de Deus, cumprindo em Cristo a unção final de sacerdote, profeta e rei;
Por que no processo evolutivo da revelação de Deus, o óleo da unção aponta para o ministério do Espírito Santo, Aquele que unge, isto é, separa, capacita, credencia o cristão a fazer a obra de Deus. Os que são ungidos com o Espírito Santo não necessitam de nenhum outro tipo de unção;
Analisando o pensamento de Calvino sobre a unção dos enfermos, especialmente em sua exposição do verso em Tiago 5:14, podemos entender o seguinte:
Para Calvino esta prática já cessou na Igreja;
A unção aponta para a obra e os dons do Espírito Santo; e se nós vivemos hoje no desenvolvimento ministerial do Espírito Santo, com certeza, não há qualquer sentido na prática da unção de Enfermos ou qualquer outro tipo de unção;
A unção não tem o efeito das virtudes espirituais apostólicas;
A unção não é canal de bênçãos para o crente; canal de bênção é a doutrina Bíblica, as orações (intercessão dos Santos) e a comunhão;
A unção não é privativa do pastor da igreja;
A unção não tem qualquer efeito de sacramento;
A unção não perdoa pecados;
A unção não é sinal de cura;
A unção não tem poderes mágico-religiosos;
Considerações Atuais Sobre a Unção Com Óleo
Como conseqüência da situação pela qual vem passando o povo brasileiro, devido às conjunturas políticas, sociais e econômicas, muitos têm encontrado grande dificuldade de acesso à medicina pública, ou nela não têm confiança, recorrendo a uma medicina popular, principalmente através de curandeiros, benzedeiras, e/ou concepções mágico-religiosas. Alguns líderes carismáticos são muitas vezes solicitados a realizar curas divinas através de rituais, e afirmam estar em contato com o Espírito Santo, com anjos, demônios e com o espírito da própria enfermidade. E através de seus"poderes", tentam realizar a "cura", e quando esta não vem, alistam variadas razões, entre elas, e principalmente, o fato de o enfermo, ou seus familiares, terem falta de fé.
Assim, todo o procedimento de unção assumiu um papel fundamental dentro do simbolismo religioso que se formou nestes dias, sendo este procedimento utilizado para combater doenças tanto do corpo quanto da alma. E só obtêm a "graça" aqueles que são ungidos com óleo consagrado; para estes haverá saúde, emprego, riqueza, e a cura de diversas moléstias e males demoníacos.
Logo tudo passa a ser ungido, a rosa, o barbante, o sal, as fotos, as roupas, a água, o manto, a madeira, e finalmente a própria pessoa é ungida, e caso esteja possuída por demônios estes se manifestam e podem então ser expulsos, através do óleo do exorcismo e da "oração forte".
Saindo da Confusão
Como pudemos perceber perfeitamente através da exposição da história deste procedimento vale aqui de modo especial o que nos é dito pelo texto do salmo 42: "Um abismo chama outro abismo...".
E é desta confusão teológica que precisamos sair. E a única forma de fazê-lo é através de uma análise exegética da palavra de Deus, à luz de todo o ensino apresentado pela própria palavra de Deus, conforme já vimos anteriormente neste estudo. Vamos seguir então analisando o verso que é usado por base de toda esta "teologia".
Mas, tenhamos em mente tudo o que já estudamos, e em especial a conclusão a que chegamos através da análise sincera e dedicada da palavra de Deus:
"Resta então apenas um tipo de unção a ser analisado em termos de uso nos dias atuais: a unção de enfermos com fins medicamentosos. Não restou nenhum tipo de unção, com finalidades espirituais, a ser utilizada pelos crentes em Jesus Cristo após o estabelecimento da Nova Aliança."
Exposição de Tiago 5:14
Analisemos o texto em si, dentro do seu contexto:
"Está alguém entre vós aflito? Ore. Está alguém contente? Cante louvores. (14) Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e orem sobre ele, ungindo-o com azeite em nome do Senhor; (15) E a oração da fé salvará o doente, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados. (16) Confessai as vossas culpas uns aos outros, e orai uns pelos outros, para que sareis. A oração feita por um justo pode muito em seus efeitos." (Tiago 5:13-16 ACF - destaque acrescentado)
É fundamental entendermos que o texto nos fala de oração. Tiago está tratando, por praticamente toda a sua carta, deste tema. Não podemos entender que ele tenha criado um novo ritual místico-mágico, ou que tenha sido criada uma nova teologia, o que invalidaria esta carta como texto bíblico.
Como exemplo, analisemos o que houve recentemente em uma pequena cidade americana próxima de Los Angeles: - Lá ocorreu uma enorme tragédia, quando um pai, jogou fora a insulina que seu pequeno filho diabético necessitava tomar, após pedir ao pastor que realizasse em seu filho a"unção com óleo" e a "oração forte de poder". Como resultado desta ação irresponsável, seu filhinho morreu.
Devemos entender que nem todos os crentes que ficam doentes, recebem cura! Muitas vezes Deus os quer assim, doentes mesmo, de modo que testemunhem de Sua graça mesmo em meio ao sofrimento, ou então para que seja aprendida alguma lição que Deus queira ensinar. O fato é que se todos os crentes recebessem cura, nenhum morreria, pois, a cada doença se seguiria a cura divina! E a história testemunha que não é assim.
Bom, com isto em mente sigamos analisando o texto. A palavra "ungir" em português significa:
untar(-se) ou friccionar(-se) com óleo, ungüento ou qualquer substância gorda; fomentar
untar ou friccionar com perfumes ou substâncias aromáticas
investir de autoridade por meio de unção ou sagração; sagrar
Em grego os dois primeiros sentidos apresentados da palavra "ungir" são entendidos da palavra"aleifw" (aleipho). Já o terceiro sentido, é entendido pela palavra "xriw" (chrio) da qual se deriva a palavra "xristov" (christos), cristo, de onde temos a designação de Jesus como "O Ungido de Deus", "O Cristo".
Neste sentido, a primeira (aleipho) é uma palavra que denota uma ação corriqueira e desprovida de qualquer conotação religiosa ou espiritual. Enquanto a segunda (chrio) indica uma ação espiritual, uma consagração divina. E neste verso encontramos a palavra [aleipho] e não a palavra [chrio]!
Considerando, portanto, o significado da palavra e do texto em seu contexto, entendemos que somente o que pode operar qualquer cura é o poder do Senhor, muitas vezes em resposta à oração de um justo. O uso do azeite neste texto se refere então à sua aplicação com vistas a uma ação medicamentosa. Dando-nos instrução que não devemos, como fez aquele infeliz pai americano, deixar de aplicar o medicamento pelo fato de estarmos em oração pela cura, mas, inversamente, devemos aplicar o medicamento e orar confiantemente ao Senhor, clamando pela cura, tanto física, quanto espiritual, em caso de haver pecado envolvido. E o Senhor dentro dos Seus propósitos, irá agir. O poder é do Senhor, e não de uma mandinga qualquer ou de qualquer objeto que supostamente tenha quaisquer poderes curativos.
Conclusão
Diante de tudo o que foi exposto, podemos então afirmar:
A unção de enfermos não é um sacramento, já que não há nenhum sacramento, pois para tal exigir-se-ia um sacerdote para intermediar sua aplicação. E na Nova Aliança, cada crente em Jesus Cristo tem acesso direto ao Pai através Dele, sendo portanto, seu próprio sacerdote, dispensando qualquer tipo de intermediação humana. Além deste fato, não há como se complementar a obra do Senhor Jesus Cristo, ou tomar-se qualquer ação que resulte em graça. A obra de Cristo é completa e perfeita, e a obtenção de graça se dá através do poder do Senhor mediante oração e fé.
Os pais da Igreja não praticaram a unção com fins espirituais na Igreja, entendendo que esta ação não deveria ocorrer no cerne da Nova Aliança.
A instituição da unção dos enfermos durante a Idade Média, (que veio posteriormente a se tornar a extrema-unção católica, e que após o concílio Vaticano II voltou a ser, para os católicos romanos, a unção de enfermos) foi obra de "cristãos" que não tinham uma teologia séria, embasada na Palavra de Deus, mas, ao contrário, desejavam apenas mais um meio de controle sobre as massas.
Conforme pudemos ver da exposição de Tiago 5:14, o óleo não tem em si nenhum poder curativo sobrenatural, além de seu próprio poder como medicamento. O verdadeiro poder está no Senhor, e pode vir a ser derramado sobre o enfermo, em atendimento às orações de verdadeiros crentes no Senhor Jesus Cristo, aqueles que foram justificados pelo Seu sangue.
O azeite em Tiago 5:14, não é expressão do Espírito Santo, nem de Sua ação, pois, este fato viria de encontro a todas as doutrinas apostólicas. A unção que se relaciona com o Espírito Santo é obtida na conversão, quando o crente é Nele batizado e selado para o dia da redenção.
Qualquer pensamento quanto a um valor semimágico da unção com óleo, fere os princípios do Novo Testamento, especialmente no que diz respeito ao objeto da fé, que não pode em nenhuma hipótese ser algo material sob pena de idolatria e paganismo:
"E, chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: É-me dado todo o poder no céu e na terra." (Mateus 28:18)
Em nada devemos por a nossa fé, a não ser naquele que verdadeiramente nos pode salvar!
No processo evolutivo da revelação de Deus, o óleo da unção apontava para o vindouro ministério do Espírito Santo, que é Aquele que unge, ou seja, Aquele que separa, capacita, credencia o Cristão a fazer a obra de Deus. Os que são ungidos com o Espírito Santo não necessitam de nenhum outro tipo de unção espiritual, em nenhum outro momento de suas vidas!
E que Deus nos abençoe e nos permita permanecer sendo fiéis à Sua palavra e à Sua vontade em cada momento de nossas vidas, deixando e abandonando tudo quanto não provém de Deus! Amém!
Bibliografia consultada
A BÍBLIA SAGRADA, Versão Revista e Corrigida Fiel ao Texto Original, Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil, São Paulo, 1995.
ARLES, Cesário de - Sermones Sancti Caesarii Arelatensis - Pars Prima, studio D. Germani Morin O.S.B., ed. altera, Turnholti, Brepols, 1953.
CNBB, Observações sobre o Ministro da Unção dos Enfermos. 35ª Assembléia Geral da CNBB.
COELHO FILHO, Isaltino Gomes - Tiago Nosso Contemporâneo: Um Estudo Contextualizado da Epístola de Tiago, 2ª edição, Rio de Janeiro, JUERP, 1990.
ECCLESIA, Patrística e Fontes Cristãs Primitivas: Tradição Apostólica de Hipólito de Roma.
FALCÃO Sobrinho, João - A Túnica Inconsútil: Um estudo sobre a doutrina da igreja, 2a edição revisada, Rio de Janeiro, JUERP, 2002.
HOUAISS, Antonio - Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, versão eletrônica.
LAUAND, Jean - Um Sermão de S. Cesário de Arles.
RÉDUA, Ashbell Simonton - Unção com óleo *com especial gratidão por tão excelente trabalho!
Autor: Walter Andrade Campelo